Foto: Alex Uchôa

Os verdes recortes da terra

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Ainda no século XVII, o holandês Mathias Beck foi dos primeiros a avaliar que o Monte Itarema, na Serra da Aratanha, cujas curvas azuladas eram avistadas do mar, esconderia minas de prata, guardadas com zelo pelos representantes da etnia Potiguara.

Com o auxílio de indígenas e escravos, mineiros batavos tentaram, sem sucesso, arrancar da pedra a fortuna que justificaria a viagem de vinda, pagaria o percurso da volta, perdoaria o sacrifício de tantas vidas. Por mais que fosse escavado, nunca se achou prata nem ouro, jamais alcançado o aspirado tesouro que daria razão a esta empreitada colonial. Nada também foi achado na mata fechada da Serra de Maranguape, que ficava logo depois.

Dois séculos se passaram até o surgimento do primeiro arruado do que viria a ser a cidade de Maranguape, na margem esquerda do riacho Pirapora.

No topo, a não mais de 500 metros, o verde da serra encara de volta o verde do mar, próximos o bastante para que se veja o contorno das dunas, as manchas dançantes das nuvens na terra, os aglomerados urbanos que se alternam até Fortaleza.