Foto: Alex Uchôa

Marcos de pedra, marcos de criação

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No Sertão Central do Ceará, onde se deu o começo de tudo, chegou tardia a colonização. Sabia-se que o solo não era tão propício ao valioso plantio da cana-de-açúcar, como eram outros do Nordeste, e que os indígenas resistiam ferozes às tentativas de ocupação.

Daí a demora no nascimento da povoação de Santo Antônio do Boqueirão de Quixeramobim, no que é o centro geográfico do Ceará, criada em 1766 por expressa Ordem Régia, a ser povoada pelos que vinham do Jaguaribe seguindo o Rio Banabuiú.

Como acontece com a vizinha cidade de Quixadá, desmembrada de Quixeramobim em 1870, a pronúncia dos dois nomes, em sua onomatopéia rascante e aguda, lembra armaduras, barreiras de granito, pedras pontudas.

São nomes sob medida para este cenário de milenares monólitos, este vasto cordão de contas de pedra, assomando da terra, formando rígidos currais de rochas nuas que, de vez em quando, se afastam em esforço insólito até abrirem-se em água, em verde, em erva.