Foto: Gentil Barreira

Inhamuns, Alto Sertão

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Para quem não conhece, o Ceará se reveste de couro e pele dura. Nas terras ressecadas do sertão, creem que vão testemunhar, intocadas, antigas cicatrizes, marcas de batalha deixadas pelas secas no chão.

Quem não sabe, pensa que assim foi, assim ainda é e assim será. Certamente não viu muito além das lições de sofrimento secular, lidas nos livros e ensinadas nas tristes histórias de homens definhando no calor que ondula o ar.

Não ultrapassou o grafismo articulado das ossadas de boi, torturadas pelo estio, branqueadas pela visita das nuvens de urubus, nem se perdoa por haver percebido, antes da dor, a poesia cruel que existe na poça de lama ocupando o lugar de um rio.

De fato, o Ceará, como outros estados do Nordeste do Brasil, por muitos anos ainda será esse retrato, perturbadoras imagens penduradas na parede das tristes lembranças, alheias à passagem do tempo, ancoradas numa memória coletiva construída sobre o que são fatos e o que foram momentos.