Foto: Alexandre Lonngren

O chão do Ceará

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Não se ergue questão quanto ao fato de o Ceará ter sido feito pela luz quente do sol. O calor moldou a topografia, cozinhou ao ponto a pele de couro do homem, forjou seus sentimentos, aqueceu seu espírito de religiosidade, incendiou sua imaginação.

Na fisiografia do Ceará, na caligrafia única da natureza, ocupa lugar de destaque a vasta área dos sertões, onde, de fato, a história do estado começou.

Caminhos eram abertos na intocada Mata Atlântica ou seguia-se o natural curso dos rios, estradas providenciais que tiravam proveito da correnteza e do vento para vencer o tempo mais lento da terra.

Abriam-se ruas para o comércio, a pesagem, o abatedouro, a salga do gado. Abriam-se caminhos para os poços e cacimbas de homens e rebanhos, caminhos para a água de beber e para o banho.

No inverno, com os açudes repletos, o Sertão Central ou dos Inhamuns, os vales do Jaguaribe ou do Acaraú renascem no verde, esquecidos dos períodos de deserto.